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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O tell me the truth about love.. .


O Tell Me The Truth About Love
 
Some say love's a little boy,
And some say it's a bird,
Some say it makes the world go around,
Some say that's absurd,
And when I asked the man next-door,
Who looked as if he knew,
His wife got very cross indeed,
And said it wouldn't do.
 
Does it look like a pair of pyjamas,
Or the ham in a temperance hotel?
Does its odour remind one of llamas,
Or has it a comforting smell?
Is it prickly to touch as a hedge is,
Or soft as eiderdown fluff?
Is it sharp or quite smooth at the edges?
O tell me the truth about love.

Our history books refer to it
In cryptic little notes,
It's quite a common topic on
The Transatlantic boats;
I've found the subject mentioned in
Accounts of suicides,
And even seen it scribbled on
The backs of railway guides.

Does it howl like a hungry Alsatian,
Or boom like a military band?
Could one give a first-rate imitation
On a saw or a Steinway Grand?
Is its singing at parties a riot?
Does it only like Classical stuff?
Will it stop when one wants to be quiet?
O tell me the truth about love.
 
I looked inside the summer-house;
It wasn't over there;
I tried the Thames at Maidenhead,
And Brighton's bracing air.
I don't know what the blackbird sang,
Or what the tulip said;
But it wasn't in the chicken-run,
Or underneath the bed.

Can it pull extraordinary faces?
Is it usually sick on a swing?
Does it spend all its time at the races,
or fiddling with pieces of string?
Has it views of its own about money?
Does it think Patriotism enough?
Are its stories vulgar but funny?
O tell me the truth about love.
 
When it comes, will it come without warning
Just as I'm picking my nose?
Will it knock on my door in the morning,
Or tread in the bus on my toes?
Will it come like a change in the weather?
Will its greeting be courteous or rough?
Will it alter my life altogether?
O tell me the truth about love.
Ah, diz-me verdade acerca do amor
 
Há quem diga que o amor é um rapazinho,
E quem diga que ele é um pássaro;
Há quem diga que faz o mundo girar,
E quem diga que é um absurdo,
E quando perguntei ao meu vizinho,
Que tinha ar de quem sabia,
A sua mulher zangou-se mesmo muito,
E disse que isso não servia para nada.

Será parecido com uns pijamas,
Ou com o presunto num hotel de abstinência?
O seu odor faz lembrar o dos lamas,
Ou tem um cheiro agradável?
É áspero ao tacto como uma sebe espinhosa
Ou é fofo como um edredão de penas?
É cortante ou muito polido nos seus bordos?
Ah, diz-me a verdade acerca do amor.

Os nossos livros de história fazem-lhe referências
Em curtas notas crípticas,
É um assunto de conversa muito vulgar
Nos transatlânticos;
Descobri que o assunto era mencionado
Em relatos de suicidas,
E até o vi escrevinhado
Nas costas dos guias ferroviários.
 
Uiva como um cão de Alsácia esfomeado,
Ou ribomba como uma banda militar?
Poderá alguém fazer uma imitação perfeita
Com um serrote ou um Steinway de concerto?
O seu canto é estrondoso nas festas?
Ou gosta apenas de música clássica?
Interrompe-se quando queremos estar sossegados?
Ah! diz-me a verdade acerca do amor.
 
Espreitei a casa de verão,
E não estava lá,
Tentei o Tamisa em Maidenhead
E o ar tonificante de Brighton,
Não sei o que cantava o melro,
Ou o que a tulipa dizia;
Mas não estava na capoeira,
Nem debaixo da cama.
 
Fará esgares extraordinários?
Enjoa sempre num baloiço?
Passa todo o seu tempo nas corridas?
Ou a tocar violino em pedaços de cordel?
Tem ideias próprias sobre o dinheiro?
Pensa ser o patriotismo suficiente?
As suas histórias são vulgares mas divertidas?
Ah, diz-me a verdade acerca do amor.
 
Chega sem avisar no instante
Em que meto o dedo no nariz?
Virá bater-me à porta de manhã,
Ou pisar-me os pés no autocarro?
Virá como uma súbita mudança de tempo?
O seu acolhimento será rude ou delicado?
Virá alterar toda a minha vida?
Ah, diz-me a verdade acerca do amor.
               Janeiro, 1938
 
                W.H. Auden,
                 DIZ-ME A VERDADE ACERCA DO AMOR,
               Tradução de Maria de Lourdes Guimarães,
               Relógio d´Água, 1994

 

sexta-feira, 6 de julho de 2012

do silêncio...


Que se  pode fazer para emergir deste silêncio?
Que fazer para sair deste silêncio que nos cala as palavras?
Que poesia nos pode resgatar?
Ainda nos salvará alguma ternura?
Com que olhos procurar a poeisa do mundo?
Em que gestos inventar a ternura?
Que cabe no silêncio?
Vida, poesia e ternura, sempre.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Fosse sinfonia...

 

Minha alma é uma orquestra oculta

Minha alma é uma orquestra oculta; não sei que instrumentos tange e range, cordas e harpas, tímbales e tambores, dentro de mim. Só me conheço como sinfonia.

Todo o esforço é um crime porque todo o gesto é um sonho inerte.

As tuas mãos são rolas presas.
Os teus lábios são rolas mudas.
(que aos meus olhos vêm arrulhar)

Todos os teus gestos são aves. És andorinha no abaixares-te, condor no olhares-me, águia nos teus êxtases de orgulhosa indiferente.

(...)

Meu corpo treme-me a alma de frio... Não um frio que há no espaço, mas um frio que há em vir a chuva...

Todo o prazer é um vício, porque buscar o prazer é o que todos fazem na vida, e o único vício negro é fazer o que toda a gente faz.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008


Hopper, Night Windows.
Quase se perde a esperança, há cansaço, perdem-se as palavras...

domingo, 23 de setembro de 2007

Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer...

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Não voltaste, nem voltas.
Sei-o agora.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006


não sei...
não sei, tudo tão estranho...
já não sei se chegaste.
a única certeza é a de que partiste.
partiste há tanto tempo.
talvez jamais voltes
e eu queria que pudesses voltar, num outro, mas pudesses voltar.
talvez não.
nunca.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

Eu creio que já chegaste...
Vieste chegando, estranha e calmamente, andas por aqui...
Chegando, eu sei.


terça-feira, 29 de novembro de 2005




e se tu estiveres chegando?...

quinta-feira, 24 de novembro de 2005




e se de repente, tu chegasses e viesses comigo na viagem.
na viagem de cada dia.
« eu não sei olhar, sem você...»

sábado, 12 de novembro de 2005




Pressinto que não virás.
O tempo se esgota, passa, eu fico.

segunda-feira, 7 de novembro de 2005



Hopper, ainda.
Nighthaws, 1942.
pudesses tu gostar.

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

E. Hopper

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

segunda-feira, 31 de outubro de 2005