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terça-feira, 26 de junho de 2012

Chama que morre...


Há momentos em que a chama no nosso olhar, e em nós, vai morrendo.
Como se a tristeza fosse um ar frio, ainda que suave, que vai apagando a chama. Fica-se a olhar para a chama vendo-a extinguir-se lentamente, tão lentamente que parece por vezes ainda durar, e luta-se até ao fim, protegendo-a esperando outro desenlace, que não o fim.
Bem sabemos que esse mesmo ar frio pode voltar a reacendê-la.
E nisto se tarda… e a demora?

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Chama que morre...


A loucura chamada afirmar, a doença chamada crer, a infâmia...
A loucura chamada afirmar, a doença chamada crer, a infâmia chamada ser feliz — tudo isto cheira a mundo, sabe à triste coisa que é a terra.
Sê indiferente. Ama o poente e o amanhecer, porque não há utilidade, nem para ti, em amá-los.
Veste teu ser do ouro da tarde morta, como um rei deposto numa manhã de rosas, com Março nas nuvens brancas e o sorriso das virgens nas quintas afastadas. Tua ânsia morra entre mirtos, teu tédio cesse então [...] e o som da água acompanhe tudo isto como um entardecer ao pé de margens, e o rio, sem sentido salvo correr, eterno, para marés longínquas. O resto é a vida que nos deixa, a chama que morre no nosso olhar, a púrpura gasta antes de a vestirmos, a lua que vela o nosso abandono, as estrelas que estendem o seu silêncio sobre a nossa hora de desengano. Assídua a mágoa estéril e amiga que nos aperta ao peito com amor.
 [...]

domingo, 13 de maio de 2012

da lentidão


Continua-se a ter tão pouco para dizer, torna-se o silêncio mais presente.
Há lugares, cidades, que se visitam, outros países, lugares com gentes, cheiros e olhares, porém falta-me o tempo para a demora necessária do sentir.
Olhar e sentir exige-me tempo, preciso da lentidão no andar, no olhar...
sempre a lentidão, ainda que seja a velocidade que impera e comanda os dias.
E fica o silêncio porque não se acha o que escrever, e porque o sentir cala o pensar.
Fica o silêncio porque não se acha o que escrever  face ao tédio...
Fica o silêncio no encontro das palavras escritas dos outros
Fica o silêncio porque morre quem tinha mais vida, mais arte, mais música...
Fica o silêncio porque da espera já não lembro.

domingo, 8 de abril de 2012

Como os barcos...


Queria-se acreditar, somente acreditar...
Esperar, acreditando.
Esperar como os barcos esperam junto ao cais, que os levem...

sexta-feira, 16 de março de 2012

Lentidão...


Por vezes é-se alertada para a evidência de que a vida passa depressa demais.
Passará a vida depressa demais?
Depois dos verdes anos, a velocidade da passagem dos dias parece ser maior.
E no crepúsculo duma vida, desse lugar onde se vê, como que em fotogramas, toda uma existência, tudo parecerá ter sido tão veloz.
Entre a velocidade e a lentidão, prefere-se a lentidão (dos dias, ainda que vazios) sendo que isso não será visível nesses fotogramas de retrospectiva ulterior. Pudéssemos roubar a lentidão e usá-la como lente...
Nada será, porém, mais veloz que o presente.
Teremos pois a legitimidade de deixar que quase nadas preencham os dias, ao invés de os viver com intensidade desmesurada?
Viver dias, em que se é no mundo, apenas um na multidão, dias de banalidades, dias sem música, sem poesia, sem literatura, sem palavras, sem olhares, sem gestos que nos arrebatem. Dias em que também as noites são banais, e nem um mundo fora de nós, acessível nestes tempos de virtualidade desmedida, nos marca o tempo.
Bem se sabe que somos nós e a circunstância, e que a banalidade e os dias quase vazios fazem parte da vida. Sendo que é à soma dos dias, na maioria feitos de quase nada, que chamamos vida.
E passam tantos sem que um sopro de emoção nos envolva.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Da ternura...


Sempre a ternura, que é, também, uma tristeza suave.
Da ternura e do engano...
A cada engano, que me retirou, ainda que por breves momentos, da espera, do vazio e do quase nada...
A cada engano, a cada ver que não eras tu, (como se fosse possível que viesses, fingi-se que se crê...) regresso a mim.
Regresso, pela ternura, a mim.
A cada engano, regresso ao que sou, ao que em mim há de quase nada.
A cada engano, regresso também, ao que sou de alegria,  do riso e sorrisos e dessa ternura alegre, das mãos enlaçadas dos amigos...
A cada engano, mais terno o coração se torna.
Como explicar de que tudo, hoje, é ternura?

domingo, 27 de novembro de 2011

Sol de Inverno...



Sol de Inverno, que nos é gratuito, que nos aquece o corpo, que nos aquece a alma, acaso deixássemos a alma a ele se expor...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

When do the bells ring for me?


Edward Hopper (1882-1967)
Cape Cod Evening  1939

I wonder when do the bells ring for me
when someone tugs a heartstring for me?
when does it come my time?
when does the poem rhyme?
when do the songs they sing, sing for me?

to those who say "hey, wake up and feel life"
I say "i'm ready, just show me the way"
show me those arms that say "welcome to real life"
and we'll stay, we'll stay

how many parties more can i run to?
how many little loves can there be
before it's all a bore?
forget it, i want more
I want someone who wants want more of me
 like making promises good in the daylight
the thing is here am i, where is she?
when is it my chance?
when is it my dance
when do the bells ring for me?

domingo, 23 de outubro de 2011

Sobre a espera...




Sobre a espera...
talvez seja a espera, que deriva ou é a própria esperança, que nos traz a serenidade nos dias que passam.
Estar à tua espera...
É por te ter perdido que espero.
É por teres ido embora que espero.
É sabendo que não voltas, que espero.
(Quem se foi não volta, espero outro alguém que não tu)
Estar à tua espera...

Estar à tua espera sem que saiba quem és.
Esperar que venhas, não sabendo quem és, crendo que se saberá, quando finalmente chegares.

E depois da tua chegada?
Depois da tua chegada, falar-te da demora, da espera, dos desertos e miragens (sim tudo foram miragens...).
Depois da tua chegada, nos teus braços, descansar desta espera quase infinita.
Depois da tua chegada, ouvir-te falar de onde vieste, por onde andaste.
Enquanto se espera, não se vive? vive-se sim. Há sorrisos e risos, há festas e ternuras...
E o desejo que se esquece...

[Esperar é ter esperança, essa " disposição do espírito que induz a esperar que uma coisa se há-de realizar ou suceder". Esperas infinitas...]

sábado, 24 de setembro de 2011

Y no estavas tu...


Nostalgia de quem espera, de quem lembra outros tempos, estavas para chegar...

Esta tarde vi llover
Vi gente correr
Y no estabas tu.
(...)
El otoño vi llegar
Al mar oi cantar
Y no estabas tu.

 

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

Continuar à tua espera...
saber que talvez não venhas, ou talvez venhas.
aqui, em silêncio, te espero.

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

Às vezes espera-se desesperadamente,

exibindo a mais credível serenidade.