Sim, muda-se, devagar, passamos a ser quem deveríamos ser.
No devir do ser, sentimos... e o pensar não faz parte desse sentir, segue tão mais atrás... ausenta-se, nas mais das vezes.
Não, pensa-se sempre, demasiado depressa, num redemoinho temeroso e assombroso de palavras, sem coesão.
Há tanta emoção, e silêncio...
Não deverias deixar-me...
segunda-feira, 2 de março de 2015
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
das flores...
São flores, são os cheiros doces e, sempre, sempre a ternura, que deixam marcas por dentro.
Há sempre o sorriso, aquele que emerge da alma, e que aflora no olhar, no nosso olhar.
Assim, há o encanto de um lugar, de um tempo.
Ainda que os dias pareçam duros...
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
do sentir...
São ternas as tuas mãos.
Como se falassem, as tuas mãos, e eu ficasse à escuta.
Escuto o silêncio que nos cinge, sentir e sorrir bastam-te.
Não rasgam o silêncio, as tuas mãos.
Não esquecem a ternura, as tuas mãos.
terça-feira, 4 de março de 2014
despertar...
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| Portrait of Two Souls; Jon Bøe Paulsen |
Continua-se, caminha-se.
Chove, e o frio não nos gela.
Que o corpo em ti se acalenta,
E a alma se abriga.
E um vestido...
Que o despertar já aconteceu.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Continuar...
![]() |
| storm day bath beach-Willian Merritt Chase |
Recomeça-se, é apenas um recomeço.
Como se fosse um começo, mas é apenas um continuar.
Mais um ano, somam-se os dias.
E, contudo, é um começo feliz...
E chove...
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Mal de te amar neste lugar de imperfeição...
Terror de te amar num sítio frágil como o mundo.
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Coral
domingo, 22 de setembro de 2013
das tuas mãos no meu rosto...
![]() |
| Bo Bartlett, 2009, Penumbra |
As tuas mãos no meu rosto...
É das tuas mãos no meu rosto de que preciso.
As tuas mãos no meu rosto, são toda a ternura do mundo.
As tuas mãos no meu rosto, são muito mais que a suavidade delas, são toda a ternura do gesto.
Ensinaste-me a sentir, primeiro, para depois me mostrares como eram as tuas mãos no meu rosto.
As tuas mãos no meu rosto, são em mim a ternura da alma.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Caminhando...
Longo o caminho, feito ou a fazer...
Sempre a procura da serenidade, quer-se a tranquilidade.
Como se tudo fosse menos penoso, desse modo.
E quando se sabe, sentindo, que já não se caminha só...
Caminhemos...
quinta-feira, 30 de maio de 2013
... do rio que passa.
talvez haja sempre um rio.
precisamos de um rio, de olhá-lo... da janela vemos uma nesga de rio.
e em nós há o sorriso de quem sabe olhar o rio que passa...
e no rio que passa, se enlaçarmos as mãos, veremos a esperança...
domingo, 5 de maio de 2013
pelas águas de um rio...
Perceber Virgínia Wolf, que caminhou, com determinação, pelas águas de um rio. Mergulhou nele, talvez sem medo, até porque a água de tom verde (talvez) não intimidasse quem serenamente não queria mais andar por aqui.
Às vezes quer-se um rio por onde caminhar, porque não há outro caminho...
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Cai chuva do céu cinzento
Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.
Tenho uma grande tristeza
Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.
Porque verdadeiramente
Não sei se estou triste ou não,
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
Dentro do meu coração.
15-11-1930 Poesias Inéditas (1930-1935). Fernando Pessoa
E porque chove. Talvez os dias, nublados, nos limitem a esperança, se ao menos houvesse luar... saberíamos ter esperança.
segunda-feira, 18 de março de 2013
O amor é uma companhia.
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| Pierre Auguste Renoir, La Promenade |
O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na
ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara
dela no meio.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na
ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara
dela no meio.
segunda-feira, 4 de março de 2013
because of you...
Sobre uma Europa à deriva, bem se sabe que os dias não são de esperança, antes de desalento e de incerteza.
Perdidos na voracidade e agitação dos dias, pelo desconcerto do mundo.
Para lá da espuma dos dias fica sempre tão pouco.
E o mar, e um olhar podem ser tanto...
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
da ternura...
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| Steve Hanks -Country Comfort |
" ...o amor é sempre um renascimento, mas o meu era-o absolutamente no sentido próprio do termo. Numa semana tornei-me outro homem.(...) Evaporou-se tudo o que, na vida, me parecia sombrio. Sabia tirar partido das coisas. Ousava ser feliz."
Divórcio em Buda, de Sándor Márai
Dom Quixote, 2010
Tradução de Ernesto Rodrigues
Dom Quixote, 2010
Tradução de Ernesto Rodrigues
Janeiro, as chuvas, os dias cinzentos, e a ternura que em nós derrama luz e calor, bem mais que o sol de inverno...
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
É beijo...
Beijo
Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no de abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mas beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
É dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios lábios se deseja.
e tremem no de abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mas beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
É dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios lábios se deseja.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Houvesse neve...
Agora o frio não gela a alma, nem arrefece o coração.
Agora traz-se a alma aconchegada, ainda que os medos andem por aí...
Houvesse neve e haveria apenas a beleza e o aconchego.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
O tell me the truth about love.. .
O Tell Me The Truth About
Love
Some say love's a little boy,
And some say it's a bird, Some say it makes the world go around, Some say that's absurd, And when I asked the man next-door, Who looked as if he knew, His wife got very cross indeed, And said it wouldn't do.
Does it look like a pair of pyjamas,
Or the ham in a temperance hotel? Does its odour remind one of llamas, Or has it a comforting smell? Is it prickly to touch as a hedge is, Or soft as eiderdown fluff? Is it sharp or quite smooth at the edges? O tell me the truth about love. Our history books refer to it In cryptic little notes, It's quite a common topic on The Transatlantic boats; I've found the subject mentioned in Accounts of suicides, And even seen it scribbled on The backs of railway guides. Does it howl like a hungry Alsatian, Or boom like a military band? Could one give a first-rate imitation On a saw or a Steinway Grand? Is its singing at parties a riot? Does it only like Classical stuff? Will it stop when one wants to be quiet? O tell me the truth about love.
I looked inside the summer-house;
It wasn't over there; I tried the Thames at Maidenhead, And Brighton's bracing air. I don't know what the blackbird sang, Or what the tulip said; But it wasn't in the chicken-run, Or underneath the bed. Can it pull extraordinary faces?
Is it usually sick on a swing?
Does it spend all its time at the races, or fiddling with pieces of string? Has it views of its own about money? Does it think Patriotism enough? Are its stories vulgar but funny? O tell me the truth about love.
When it comes, will it come without warning
Just as I'm picking my nose?
Will it knock on my door in the morning, Or tread in the bus on my toes? Will it come like a change in the weather? Will its greeting be courteous or rough? Will it alter my life altogether? O tell me the truth about love. |
Ah,
diz-me verdade acerca do amor
Há quem diga que o amor é
um rapazinho,
E quem diga que ele é um
pássaro;
Há quem diga que faz o
mundo girar,
E quem diga que é um
absurdo,
E quando perguntei ao meu
vizinho,
Que tinha ar de quem
sabia,
A sua mulher zangou-se
mesmo muito,
E disse que isso não
servia para nada.
Será parecido com uns pijamas,
Ou com o presunto num
hotel de abstinência?
O seu odor faz lembrar o
dos lamas,
Ou tem um cheiro
agradável?
É áspero ao tacto como
uma sebe espinhosa
Ou é fofo como um edredão
de penas?
É cortante ou muito
polido nos seus bordos?
Ah, diz-me a verdade
acerca do amor.
Os nossos livros de história fazem-lhe referências
Em curtas notas
crípticas,
É um assunto de conversa
muito vulgar
Nos transatlânticos;
Descobri que o assunto
era mencionado
Em relatos de suicidas,
E até o vi escrevinhado
Nas costas dos guias
ferroviários.
Uiva como um cão de
Alsácia esfomeado,
Ou ribomba como uma banda
militar?
Poderá alguém fazer uma
imitação perfeita
Com um serrote ou um
Steinway de concerto?
O seu canto é estrondoso
nas festas?
Ou gosta apenas de música
clássica?
Interrompe-se quando queremos
estar sossegados?
Ah! diz-me a verdade
acerca do amor.
Espreitei a casa de
verão,
E não estava lá,
Tentei o Tamisa em
Maidenhead
E o ar tonificante de
Brighton,
Não sei o que cantava o
melro,
Ou o que a tulipa dizia;
Mas não estava na
capoeira,
Nem debaixo da cama.
Fará esgares
extraordinários?
Enjoa sempre num baloiço?
Passa todo o seu tempo
nas corridas?
Ou a tocar violino em
pedaços de cordel?
Tem ideias próprias sobre
o dinheiro?
Pensa ser o patriotismo
suficiente?
As suas histórias são
vulgares mas divertidas?
Ah, diz-me a verdade
acerca do amor.
Chega sem avisar no
instante
Em que meto o dedo no
nariz?
Virá bater-me à porta de
manhã,
Ou pisar-me os pés no
autocarro?
Virá como uma súbita
mudança de tempo?
O seu acolhimento será rude ou delicado?
Virá alterar toda a minha vida?
Ah, diz-me a verdade
acerca do amor.
Janeiro, 1938
|
| W.H. Auden, DIZ-ME A VERDADE ACERCA DO AMOR, Tradução de Maria de Lourdes Guimarães, Relógio d´Água, 1994 |
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