segunda-feira, 25 de julho de 2011

A flame.


Cedo demais... numa tarde de sábado, era Verão.
(1983 ~2011)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Sangrando

Quer-se escrever palavras com beleza, as únicas que merecem ser ditas e escritas, mas com o coração sangrando, que beleza poderia ser dita?

"Ontem à noite, depois da sua partida definitiva, fui para aquela sala do rés-do-chão que dá para o parque, fui para ali onde fico sempre no mês de junho, esse mês que inaugura o Inverno. Tinha varrido a casa, tinha limpo tudo como se fosse antes do meu funeral. Estava tudo depurado de vida, isento, vazio de sinais, e depois disse para comigo: vou começar a escrever para me curar da mentira de um amor que acaba. Tinha lavado as minhas coisas, quatro coisas, estava tudo limpo, o meu corpo, o meu cabelo, a minha roupa, e também aquilo que encerrava o todo, o corpo e a roupa, estes quartos, esta casa, este parque. E depois comecei a escrever..."

Marguerite Duras
Textos Secretos

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Nunca se esquece, tudo se lembra ocultamente.




É o fatídico mês de Março, estou
no piso superior a contemplar o vazio.
Kok Nam, o fotógrafo, baixa a Nikon
e olha-me, obliquamente, nos olhos:
Não voltas mais? Digo-lhe só que não.

Não voltarei, mas ficarei sempre,
algures em pequenos sinais ilegíveis,
a salvo de todas as futurologias indiscretas,
preservado apenas na exclusividade da memória
privada. Não quero lembrar-me de nada,
só me importa esquecer e esquecer
o impossível de esquecer. Nunca
se esquece, tudo se lembra ocultamente.

Desmantela-se a estátua do Almirante,
peça a peça, o quilómetro cem durando

orgulhoso no cimo da palmeira esquiva.
Desmembrado, o Almirante dorme no museu,
o sono do bronze na morte obscura das estátuas
inúteis. Desmantelado, eu sobreviverei
apenas no precário registo das palavras.


Aeroporto, Rui Knopfli, O Monhé das Cobras, 1997.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Simone

        
         Linda, deslumbrante e ... (algo que não sei dizer ),
        e assim nosso pequeno mundo, nossa pequena vida,
        se faz grande e outra, na brevidade eterna de um show...


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

todas as coisas eram possíveis.

Adeus
 Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A mais vil de todas as necessidades — a da confidência,

A mais vil de todas as necessidades — a da confidência, a da confissão. E a necessidade da alma de ser exterior.

Confessa, sim; mas confessa o que não sentes. Livra a tua alma, sim, do peso dos seus segredos, dizendo-os; mas ainda bem que o segredo que dizes, nunca o tinhas dito. Mente a ti próprio antes de dizeres essa verdade. Exprimir(-se) é sempre errar. Sê consciente: exprimir seja, para ti, mentir.


Livro do Desassossego por Bernardo Soares. Vol.II. Fernando Pessoa


quarta-feira, 18 de agosto de 2010


Álvaro de Campos

Ah as horas indecisas em que a minha vida parece de um outro...
As horas do crepúsculo no terraço dos cafés cosmopolitas!
Na hora de olhos húmidos em que se acendem as luzes
E o cansaço sabe vagamente a uma febre passada.

Álvaro de Campos - Livro de Versos . Fernando Pessoa.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Ainda e sempre...


Tanta saudade, meu amor de sempre.
Tantos anos depois, tantos que já não ouso contá-los.
Ainda e sempre...
Lembrarás?

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Emoção...



Começaria tudo outra vez, se preciso fosse...

terça-feira, 22 de janeiro de 2008


Hopper, Night Windows.
Quase se perde a esperança, há cansaço, perdem-se as palavras...

quinta-feira, 11 de outubro de 2007



No dia em que fui mais feliz...

domingo, 23 de setembro de 2007

Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer...

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Não voltaste, nem voltas.
Sei-o agora.

domingo, 14 de maio de 2006

Não eras tu...
Não eras...
Não voltaste ainda...
Ainda te espero.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006


não sei...
não sei, tudo tão estranho...
já não sei se chegaste.
a única certeza é a de que partiste.
partiste há tanto tempo.
talvez jamais voltes
e eu queria que pudesses voltar, num outro, mas pudesses voltar.
talvez não.
nunca.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

Eu creio que já chegaste...
Vieste chegando, estranha e calmamente, andas por aqui...
Chegando, eu sei.


terça-feira, 29 de novembro de 2005




e se tu estiveres chegando?...

quinta-feira, 24 de novembro de 2005




e se de repente, tu chegasses e viesses comigo na viagem.
na viagem de cada dia.
« eu não sei olhar, sem você...»

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

Continuar à tua espera...
saber que talvez não venhas, ou talvez venhas.
aqui, em silêncio, te espero.

sábado, 12 de novembro de 2005




Pressinto que não virás.
O tempo se esgota, passa, eu fico.

segunda-feira, 7 de novembro de 2005



Hopper, ainda.
Nighthaws, 1942.
pudesses tu gostar.

domingo, 6 de novembro de 2005

quem me dera estar, de verdade, à tua espera.

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

E. Hopper

será que se consegue só contemplar?

nada há a dizer.

silêncio

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

Às vezes espera-se desesperadamente,

exibindo a mais credível serenidade.

segunda-feira, 31 de outubro de 2005